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sábado, 22 de novembro de 2014

Ontem Negro, hoje Branco



 

 
Vidência: Vi um homem negro que aguardava no astral o momento da comunicação. Sua mente parecia transportada para o passado e pude ouvir sons que ecoavam em sua memória: "negro tição!..." Ele, percebendo a minha sintonia com as suas lembranças, começou a falar:
Fui negro, é verdade.
Hoje sou espírito; espírito não tem cor, espírito tem todas as cores.
Já fui negro, já fui branco, nasci índio e amarelo. Vivi muitas vidas. Em muitas plantei, mas nenhuma foi tão importante como aquela em que colhi.
Como branco, massacrei povos simples e humildes. Julgando-me superior, dominei e fiz sofrer.
Escravo nasci, trazendo na pele a sentença do carma: "Serás negro".
Adentrei a vida física trazendo, em mim, a marca daqueles que muito tem a resgatar.
Cresci, lutei, venci!
Cumpri o que fora combinado e a meu povo devolvi a dignidade outrora roubada. Que cada um faça de sua dignidade o que bem quiser. Podem dá-la de graça, negá-la, recusar-se a ela, mas negros que somos, nada nos diminui. Pelo contrário, com sua história de sofrimento, nosso povo carrega na cor o estandarte da liberdade.
Somos livres, livres do preconceito, do ódio, da dor.
Conquistamos, com suor e muito esforço, o caminho do amor. Quem quiser seguir conosco, branco, negro, irmãos de toda cor, pegue, então, sua cruz, como determinou o Mestre Jesus e venha cantando louvor, pois o "plano divino" nos coloca em igualdade de condições, na busca pelo progresso.
Ontem negro, hoje branco.
Não adianta desprezar, todos passarão pela prova de experimentar a cor negra. É a lei da reencarnação, multiplicando oportunidades de mostrar aos seres humanos que a paz se constrói com a igualdade.
Salve, salve a raça negra!
Povo forte e destemido!
Salve a luta, em favor do oprimido!
Zumbi eu fui, triste morte amarguei,
Mas, quando vivo estive
Dos negros eu fui Rei.

Sigo em frente a divulgar
A mensagem de esperança
Aqui e em todo lugar.
Só é livre, quem faz mudança.

Olhai pra dentro de si
Índio, branco, negro, pardo.
E procurai melhorar
Prisão maior é aquela
Que não lhe deixa sair do lugar.

Aos negros quero dizer
Que ser negro não dá prazer
Porque esse mundo é atrasado
E se vive sem aprender.

Quanto tempo perdido
Entre leis e discussões.
Demoram a entender
Que somos todos irmãos.

Passados tantos anos
Da morte dos negros escravos
Ainda vemos homens sãos
Penando como vassalos.

Acorda, humanidade!
E aprenda a lição:
Só se vive a igualdade
Com amor no coração.
 
Zumbi dos Palmares
GESH – 21/11/2009 – Vitória, ES – Brasil
Nota: Zumbi dos Palmares foi líder do Quilombo dos Palmares aos 25 anos e morreu degolado aos 40 anos em 20/11/1695, após ter sido traído por um companheiro. Daí, sua inesperada presença bem no dia 21/11, pois na véspera foi o dia da Consciência Negra no Brasil.